1501, os portugueses instalaram seu padrão de posse no dia de Todos os Santos e batizaram, com esse nome, a grande baía em volta. A sudoeste desta baía estava a bela ilha, que faz lembrar aos marujos dos navios, as terras de Caparica, povoação as margens do Tejo, em Portugal.
Em 1534, a Capitania da Bahia foi doada a Pereira Coutinho, que estabeleceu uma vila na Barra, em 1536. Franscisco Pereira Coutinho foi o primeiro donatário da Bahia.
A região que abriga a cidade do Salvador da Bahia era habitada pelos tupinambás, no século 15.
Em 1548, após a morte de Pereira Coutinho, Dom João III, rei de Portugal, nomeou Thomé de Sousa governador-geral do Brasil e o incumbiu colonização efetiva da América Lusitana. Thomé de Sousa desembarcou no Porto da Barra, em 29 de março de 1549, e construiu a cidade do Salvador, de acordo com o projeto de Luís Dias, para ser a cabeça do Brasil.
Nas décadas seguintes, Salvador tornou-se umas das principais cidades da América, recebeu várias ordens católicas que fundaram suas igrejas e a primeira catedral do Brasil. Em 1624, foi invadida pelos holandeses e reconquistada no ano seguinte.
No século 18, Salvador contava com uma Escola de Engenharia, que funcionava no Forte de São Pedro, e uma universidade. Sim, os Estudos Gerais do Colégio dos Jesuítas foram meritoriamente a primeira universidade do Brasil.
Em 1763, a capital do Estado do Brasil foi transferida para o Rio de Janeiro. Salvador continuou a ser a maior cidade da América Portuguesa até o início do século 19, quando o príncipe regente Dom João estabeleceu na cidade a sede da Corte Portuguesa, por 35 dias, em 1808. Anos depois, o Recôncavo Baiano seria o principal palco da guerra da Independência do Brasil.
Até boa parte do século 19, Salvador continuou sua pujante evolução cultural e econômica. Nesse século, a Bahia era um celeiro de intelectuais e foi pioneira no Brasil em várias áreas importantes. Inaugurou a primeira casa de espetáculo do país, o theatro São João, a primeira Faculdade para profissionais liberais, a faculdade de Medicina da Bahia, a primeira grande Biblioteca Pública, entre outras importantes instituições. A cidade ainda abrigava um dos maiores portos da América e um poderoso comércio.
http://www.bahia-turismo.com/salvador/antiga/fotos/imagens/bahia-antiga.jpg
Itaparica.
Descoberta por Américo Vespúcio, navegador italiano naturalizado espanhol, no dia primeiro de novembro de 1501, a sua ocupação deu-se a partir de um pequeno núcleo de povoamento fundado por jesuítas na contra-costa em 1560,onde hoje se localiza a vila de Baiacu-então denominada como Vila ao Senhor da Vera Cruz. Os primitivos povoadores da ilha de Itaparica erram índios da tribo Tupinambás que eram antropófagos, isto é, comiam carne humana. Existem dúvidas acerca do nome da ilha, Teodoro Sampaio apresenta "Itaparica" de origem tupy, significando "cerca de pedra", Ubaldo Osório diz que é uma corruptela da palavra "Caparica" , povoação a margem do Tejo; e J.M Macedo propõe derivar-se "Taparica", nome do chefe indígena pai da índia Paraguaçu, esposa de Diogo Álvares Correia, o Caramuru. Nesse período foi nela iniciada a primeira plantação de cana-de-açúcar, assim como a cultura do trigo, tendo recebido os primeiros exemplares de gado bovino.Nesta época , também existiam cinco destilarias de aguardente, além das fábricas de cal.
Foi ainda em Baiacu que aqueles religiosos fizeram erguer a primeira obra de engenharia hidráulica da colônia: uma barragem para o surgimento de água potável e para os serviços da população. Também foi construída a primeira igreja da ilha, a segunda matriz do Brasil, sob as bênçãos do Nosso Senhor da Vera Cruz, daí a origem do nome do município de Vera Cruz.
Foi ainda em Baiacu que aqueles religiosos fizeram erguer a primeira obra de engenharia hidráulica da colônia: uma barragem para o surgimento de água potável e para os serviços da população. Também foi construída a primeira igreja da ilha, a segunda matriz do Brasil, sob as bênçãos do Nosso Senhor da Vera Cruz, daí a origem do nome do município de Vera Cruz.
Até o século XVI, a ilha de Itaparica era dominada pelos tupinambás, que chamavam as região de KIRIMURÊ. Já comerciavam pau-brasil com os franceses naquele tempo, quando chegaram os portugueses, em 1501.
Em 31 de outubro de 1890, a vila de Itaparica foi elevada à categoria de cidade.
Em 31 de outubro de 1890, a vila de Itaparica foi elevada à categoria de cidade.
Os afamados estaleiros da ilha de Itaparica erma também empório de construções navais da colônia: ali se armou a primeira quilha da Marinha de Guerra no Brasil. Nesta época também existiam 5 destilarias de aguardente, além das fábricas de cal (nove, em meados do século XIX). Porém, a maior atividade econômica da ilha foi à pesca da baleia, sobretudo durante os séculos XVII e XVIII, por este fato, Itaparica era conhecida como Arraial da Ponta das Baleias. Por este fato, antes de chamar-se Itaparica, a Ilha era conhecida como Arraial da Ponta das Baleias.
A riqueza gerada nesse curto espaço de tempo levou a que Corsários ingleses atacassem a ilha já em 1597. Entre os anos de 1600 e 1647 a ilha foi invadida pelos holandeses. Durante a última destas invasões os holandeses chegaram a construir um forte, na cidade de Itaparica, denominado Forte de São Lourenço, na ilha de Itaparica.
Itaparica foi palco também de importante batalha durante as lutas pela Independência da Bahia, entre 1821 e 1823. Também foi em Itaparica que se assentou a primeira máquina a vapor em terras brasileiras, no engenho de Ingá-Açu. A ilha foi emancipada de Salvador em 8 de agosto de 1833 e elevada a cidade em 30 de julho de 1962. Posteriormente o município foi desmembrado em dois: o de Itaparica e o de Vera Cruz.
Os registros históricos sobre a ilha são riquíssimos, destacando-se a vinda, em 1510, do navegador português Diogo Álvares Correia, o "Caramuru" que, enamorado da princesa tupinambá "Paraguaçu", filha do cacique Taparica, desposou-a, fundamentando, a partir desta união, a junção das raças européia e indígena, formando então a primeira família genuinamente brasileira. Caramuru foi um náufrago português que passou a vida entre os indígenas da Costa do Brasil e facilitou o contato dos primeiros viajantes europeus com os nativos do Brasil, ele chegou a Bahia, por volta de 1509, em uma embarcação, provavelmente francesa, que naufragou provavelmente nos recifes do Rio Vermelho.Os tupinambás lhe deram a alcunha de Caramuru em referência a um peixe comum no recôncavo baiano.
No dia 07 de janeiro, Itaparica comemora a sua independência. Foi neste dia, que , em 1823, o pequeno exército concentrado na então vila de Itaparica, formado majoritariamente de populares, o que também significa caboclos, negros e mestiços- deteve o desembarque dos portugueses, dificultando consideravelmente a manutenção da hegemonia portuguesa na província. A cada ano, promove-se então uma série de manifestações cívicas e religiosas, destacando-se a apresentação dos caboclos no centro histórico.
No século XVII e XVII os antigos e belíssimos sobrados existentes até hoje, hospedaram imperadores brasileiros como D. Pedro I e D. Pedro II.
A Ilha durante décadas foi o referencial ao denominado turismo de segunda residência, ou simplesmente veraneio.
No dia 07 de janeiro, Itaparica comemora a sua independência. Foi neste dia, que , em 1823, o pequeno exército concentrado na então vila de Itaparica, formado majoritariamente de populares, o que também significa caboclos, negros e mestiços- deteve o desembarque dos portugueses, dificultando consideravelmente a manutenção da hegemonia portuguesa na província. A cada ano, promove-se então uma série de manifestações cívicas e religiosas, destacando-se a apresentação dos caboclos no centro histórico.
No século XVII e XVII os antigos e belíssimos sobrados existentes até hoje, hospedaram imperadores brasileiros como D. Pedro I e D. Pedro II.
A Ilha durante décadas foi o referencial ao denominado turismo de segunda residência, ou simplesmente veraneio.
http://www.brausen.com.br/2010/02/joao-ubaldo-e-ponte-da-ilha-de.ht
Vera Cruz.
Vera Cruz foi fundada em 31 de julho de 1962. estando localizada na Região metropolitana de Salvador, precisamente na Baía de Todos os Santos, dividindo com o vizinho município de Itaparica, o território de maior ilha oceânica do país.
Vera Cruz é formada por 24 localidades, dentre as principais Mar Grande(que é a sede do município) Baiacu e Cacha Pregos.
Vera Cruz da formação histórica, não só da Ilha de Itaparica, como da própria cidade de Salvador,foi dela que saiu o cal para erguer as primeiras povoações, ordenada por Thomé de Souza, quando aqui chegou em 1549. E como testemunha deste período, existe na localidade da Penha, em Vera Cruz, a Caieira da Penha, monumento do século XVII.
Parapatinga foi uma das primeiras povoações do atual município de Vera Cruz , local de origem das tradições iniciais da Ilha, lá se encontra o Sobrado de São Simão, que atualmente se encontra em ruínas.
Através da Lei nº 1773, de 30 de julho de 1962, foi criado o município de Vera Cruz, desmembrando do município de Itaparica. Sendo publicado no Diário Oficial de 31 de julho de 1962. Constituiu de quatro distritos o município de Vera Cruz.
Vera Cruz é formada por 24 povoados, incluindo a cidade de Mar Grande, onde está localizada a Prefeitura Municipal.
A vida na Ilha.
Para quem vive em uma ilha, o porto, o caís ou o ancoradouro habitualmente chamado pelos nativos da ilha, de "ponte" é o lugar de chegada e de partida de nativos e turistas, local de embarque e desembarque de pessoas, de encontros e despedidas.
A ponte já foi o palco onde se desenvolveu muita barganha, onde se comprava, vendia e até se trocava mercadorias. Num passado não muito distante, o transporte de mercadorias e de pessoas era feito através de grandes bracos feito de madeira, conhecida como "saveiros de pano" que eram impulsionados pelo vento quando a sua vela era hasteada, que eram construídos aqui mesmo na ilha, principalmente no Estaleiro localizado em Cacha Pregos.
As mercadorias que os saveiros traziam abasteciam as "vendas", o que hoje conhecemos como mercadinhos.
Esses saveiros além de passageiros, vinham carregados de sacos e caixas contendo gêneros alimentícios, fardos de tecidos, latas de querosene, materiais de construção e outras coisas. Daqui também saiam as diversas frutas que eram vendidas na feira de Água de Meninos. A feira de Água de Meninos servia de entreposto comercial entre Salvador e outras regiões da Baía de Todos os Santos, como Maragojipe, São Félix, Nazaré da Farinhas, Bom Jesus dos Passos e Ilha de Itaparica. Os saveiros transportavam as frutas, verduras, cerâmicas, farinha, tecidos e produtos dessas regiões.
Os saveiros tiveram muita importância no desenvolvimento econômico e social da cidade, os comerciantes daqui progrediram e muitos empregos foram gerados através das fábricas de cal, tijolos e de pólvora.
O embarque e desembarque dos passageiros eram feitos nos ombros dos tripulantes da própria embarcação, esse tipo de trabalho exigia força e cuidado para não deixar o passageiro cair na água. A viagem também era desconfortante, as mulheres tinham muito medo das viagem e ficavam constrangidas na hora de saltar, já que tinham de ser carregadas pelos homens que muitas vezes nem conheciam.
A situação só melhorou com a chegada das lanchas Gaivota e Águia. Essas lanchas foram as primeiras a fazerem o percurso Salvador-Mar Grande.
A população da Ilha sobrevivia da pesca, de frutas e do cultivo de raízes como a mandioca, aipim, batata doce, inhame. A pesca era feita de forma artesanal, através de varas, tarrafas, redes e jererés. Os jererés (utilizados para pescar siri) eram confeccionados pelos próprios pescadores e moradores da região.
Os pescadores, em sua maioria, eram pessoas de pouca escolaridade,mas dotados de muita sabedoria e conhecimento da vida do mar, que foram repassados por gerações anteriores.
Conhecedores da natureza, eles conseguiam perceber as mudanças climáticas, como as mudanças do vento e das correntes marítimas.
O trabalho desenvolvido pelas mulheres era pesado, muitas sustentavam a casa com "roupa de ganho" e algumas trabalhavam como domésticas durante a época de veraneio.Acordavam cedo para pegar lenha no mato para cozinhar e ainda tinham que encher os tonéis de água, caminhavam pelas trilhas existentes, carregando na cabeça latas de água.
As casas na sua maioria em eram de taipa, cobertas de palha e de chão batido. E que na época de festas eram enfeitadas de pitanga e areia da praia.
Não havia estradas, nem as ruas eram calçadas ou pavimentadas. Existiam as trilhas,que eram caminhos feitos pelos homens com facão e alargados pela passagem contínua das pessoas e dos animais.
Com uma vegetação exuberante e farta, alguns moradores tinham pequenas roças, onde plantavam a mandioca e o aipim para a fabricação de farinha e dali tirar o seu sustento.
Muitos moradores saiam à procura de lenha para cozinhar, costume usado naquela época, pois não existia fogão a gás. A água também era de difícil acesso. Muitos moradores saiam em busca da água, líquido precioso para os moradores da ilha. Na época de veraneio os moradores sofriam carregando na cabeça latas de querosene cheias de água para beber e cozinhar, os jegues também transportavam água. Os banhos eram feitos nos rios e nas fontes existentes.
A lavagem de roupas eram feitas pelas lavadeiras. Roupas brancas de um lado e de cor em outro, as roupas não poderiam se misturar, senão manchariam. E para enxaguar as roupas tinha a folha de patchouli e as barras de anil , não poderiam faltar. Depois de lavadas as roupas, eram eram passadas e algumas ainda eram engomadas. O trabalho de engomar consistia em ir molhando um pano numa vasilha com água e goma que era extraída da mandioca. As roupas eram passadas com o ferro de carvão.Os antigos ferros a carvão eram muito pesados e ainda se tinha que soprar as brasas e tirar as cinzas longe das roupas.
As lavadeiras de Mar Grande lavavam as roupas de algumas famílias importantes de Salvador (roupa de branco) e o seu envio era feito (até a década de 60) nos saveiros, que era o transporte marítimo da época.
A noite na ilha era banhada pela escuridão. Nas casas usava-se a lamparina, objeto muito comum por ser de fácil uso e fabricação, alimentada pelo azeite, que era extraído do dendê de forma artesanal.
Nas casas das famílias com melhores condições , como os veranistas que moravam na praia, logo que escurecia, as velas era acesas. Mais tarde surgiram os candeeiros.
O querosene, combustível dos candeeiros, não existia na ilha, vinha de Salvador, através dos saveiros que faziam o transporte de pessoas e mercadorias.
A energia elétrica chegou em Mar Grande lá pelos anos de 1940. Movida por geradores com motor a óleo diesel. Esses geradores não atendiam a toda a ilha e eram ligados às 17 horas e desligados às 22 horas.
Os partos na ilha eram feitos pelas parteiras. Dotadas de muita coragem, conhecimento e disponibilidade, as parteiras utilizavam esse "dom" muitas vezes em situações precárias ou de risco.As parteiras daquela época eram mulheres de muito temor a Deus. tinham uma fé inabalável. Quando eram chamadas para socorrer alguém, primeiro faziam orações pedindo proteção a Deus e a intercessão de Nossa Senhora do Parto.
Aqueles que se aventuravam a veranear, mesmo que por um período mais curto, viam-se obrigados a transportar todo tipo de mantimentos, além de água potável, incluindo combustível, utilizado para o cozimento de alimentos e para o abastecimento dos lampiões, candeeiros e fifós que iluminavam as casas.
Pouco se podia esperar com relação a estrutura voltada para atender as demandas dos poucos veranistas e turistas que já frequentavam a ilha nesta época. A inexistência de bares, restaurantes e hotéis, na maioria das localidades espalhadas na sua costa e contra-costa, reduzia as possibilidades de aquisição de muitos tipos de gênero alimentício, salvo as poucas mercearias ou vendas, onde se poderia comprar o pescado salgado ou peixes secos.
Sem água, luz e sistema de saneamento, a maior parte da população nativa dedicava-se a atividades básicas de sobrevivência, em que a pesca e agricultura, além da coleta de frutas tropicais constituíam as principais atividades.
A noite a ilha era tomada pelo silêncio e a escuridão e as pessoas esperam a noite de lua para poder sair.
Por volta dos primeiros anos da década de setenta, o governo do estado. em parceria com o governo federal, construiu duas obras de ampliação dos sistemas de acesso a Itaparica. De um lado a Ponte do Funil que liga a Ilha ao Recôncavo Baiano. Do outro o sistema ferry-boat, com balsas transportando carros e passageiros no sentido Salvador- Itaparica-Salvador. Também foi construído o primeiro Hospital da Ilha em 1975, o hospital das freiras, como era chamado.
A Conclusão de tais obras resultou em uma corrida imobiliária na proporção em que se acentuava a ocupação em áreas nativas por parte de turistas e veranistas.
Minha infância no bairro da Ilhota.
Minha infância nesse bairro da ilha de Vera Cruz foi perfeita. Só guardo boas lembranças e excelentes recordações. Vivia à vontade, livre, foi uma infância feliz e tranquila. Como a ilha nessa época não tinha a violência que tem hoje, as crianças podiam brincar à vontade, poderíamos invadir as roças dos vizinhos para pegar frutas, como manga, goiaba e caju. Quase todo dia era dia de tomar banho de mar, até no inverno, época de muita chuva na ilha.
Meu bairro era cheio de mato, mas com muitas casas, as ruas não tinham asfaltos como tem hoje. Lembro que quando o asfalto chegou para as ruas, acabei caindo numa vala que os trabalhadores estavam fazendo para colocar a tubulação de saneamento, acabei que quebrei o braço e tive que ir para Salvador nas pressas para colocar o gesso. Sentia muita dor e no hospital daqui não colocava gesso e nem tirava radiografia. Tive que esperar o dia seguinte e ir para um hospital de Salvador.
Moro nessa rua até hoje, mas muita coisa mudou. Agora temos rua asfaltada, casas erguidas com blocos, só a vizinhança que mudou bastante, já não temos os mesmos vizinhos.
A vizinhança de antigamente era melhor, os vizinhos se respeitavam e não tinha tanto barulho de som como temos hoje.
Nasci em Salvador porque aqui na ilha ainda não tinha hospital, mas fui criada na ilha, onde vivo até hoje e não troca por nada desse mundo. A rua continua tranquila, os barulhos acontecem mais é no final de semana, as casas que são alugadas para veraneio são que fazem barulho, não se respeita a lei do silêncio, mas estamos livres da violência urbana, nenhuma casa é assaltada, se pode andar tranquilamente em qualquer horário, podemos sair à noite, não temos problemas de enchentes quando chove demais, temos saneamento básico nas casas, minha rua é perfeita.
Sinto falta de mais verde na rua, que são as árvores, antigamente tinha mais plantas, flores e árvores, mas com o progresso,elas foram dando lugar as casas, hoje são pouquíssimas árvores existentes por aqui.Cresci colhendo bem-me-que, florzinha amarelinha, aqui era como mato, tinha em tudo que era lugar. Agora não existe uma para contar história. Triste é que precisamos do progresso, mas ele acaba extinguindo muita coisa boa que existe na natureza. A ilha foi bastante prejudicada nesse ponto, muita coisa boa acabou.
Mesmo com seus problemas, a Rua Arthur Imbassay -na Ilhota continua boa de se viver.
Entrevista com D. Val moradora da Ilhota.
Julice: A senhora nasceu e cresceu aqui na localidade, qual era a maior dificuldade que a senhora acha que os moradores da ilha enfrentaram?
Dona Val: Acho que foi a falta de água potável. Os moradores iam buscar água no Silêncio( Silêncio era onde tinha uma lagoa de água limpa) lugar longe e com caminho perigoso. Tinha o risco de encontrar cobras pelo caminho e de ser pelada pela urtiga e o cansanção. Duas plantas que quando encostam na pele coça muito e fica uma vermelhidão danada, aqui na ilha essas plantas são temidas. Vou contar um caso: sempre levava as roupas de ganho para lavar lá, um dia botei a roupa pra quarar (quarar é colocar a roupa no chão, no mato, para tomar sol) e quando vou molhar as roupas, me deparo com uma cobra venenosa em cima de um lençol. Não conseguiram matar a cobra, ela fugiu para o meio do mato. Foi um grande susto.
Mas o local também era de confraternização, famílias inteiras tiravam o dia para lavar e tomar banho no Silêncio, saiam de manhã e só retornavam pela tardinha.
Ter um filtro de barro cheio de água não era fácil e não era para todos. E colocar água nesse filtro dava trabalho.
Julice: A senhora lavou de ganho. Como era para entregar as roupas em Salvador?
Dona Val: Era difícil, levava nos saveiros. Mas sempre tinha a ajuda de uma filha para ajudar a levar a trouxa de roupa.
Julice: Como era fazer partos naquela época sem muitos recursos?
Dona Val: Quando eu ia examinar a paciente eu cortava as unhas, lavava as mãos, e levava o óleo de amêndoa para passar no dedo para poder examinar a paciente.
Julice: Como era viver sem energia elétrica?
Dona Val: Não sentia diferença, mas ficava feliz na época de lua. Só assim nossos filhos poderiam ficar um pouco na rua de noite, podiam brincar na rua, se podia ira passear na praia de noite, casais saiam para namorar na porta. Não existia a violência que existe hoje. Se tinha medo era das lendas, das assombrações... época de noite de lua era uma festa. Também do donos das quitandas ficavam alegres, já que podiam ficar abertas até mais tarde e muito gente saia para comprar o pão, o querosene ou algo que faltava. Noite de lua era noite de festa, tinha que se aproveitar.
Julice: Sente saudade daquele tempo?
Dona Val: Um pouco, mas isso não volta.
Julice: Gostaria que seus netos e bisnetos tivessem pego esse tempo, essa época?
Dona Val: Não sei responder... meus filhos cresceram subindo em pés de árvores, pegando frutas nas roças, brincando na rua, andando descalços, comendo farinha com açúcar, indo para a praia sozinhos, meus netos não tiveram essa criação.
Julice: O que deseja para a nova geração de moradores de Vera Cruz?
.
Dona Val: O bem maior de todos, e que estou perdendo a minha cada vez mais, saúde. Tive um AVC e ainda tenho um problema de coração, coloquei um marca-passo, vivi muita coisa, se não fosse a alimentação forte e com coisas tiradas da terra, alimentos puros e saudáveis, não estaria mais aqui. Antigamente a comida fazia bem, hoje tudo está contaminado e destruído. Não encontramos mais as frutas como antigamente. Manga, caju, fruta-pão (fruta que até fazia as vezes de pão) estão sumindo. Só se acha manga e goiaba de carbureto, coisa que faz mal para a saúde. Os pés dessa frutas estão sumindo da ilha, agora só achamos comprando. E ainda são caras! Muito triste isso.
Entrevista Com Dona Valdelice Ramos- Dona Deca.
Idade 84 anos.
Natural de Vera Cruz -Bahia.
Reside na Avenida Luís Imbassay- Ilhota.
Referências Bibliográficas:
JANOTTI, Maria de Lourdes Mônaco, Refletindo sobre História Oral: Procedimentos e possibilidades. In. MEIHY, José Carlos Sebe Bom (org). RE- Introduzindo História Oral no Brasil, São Paulo: Xamã, 1996.
MONTENEGRO, Antonio Torres, História Oral e Memória: a cultura Popular revisitada. 3ª ed. São Paulo: Ed. Contexto, 1994.
BOSI, Ecléa. Memória e Sociedade: Lembranças de Velhos. São Paulo: T.A. Queiroz, 1997. Vol 1
<www.cidade-salvador.com> Acesso em 08/09/2015
Vera Cruz.
Vera Cruz foi fundada em 31 de julho de 1962. estando localizada na Região metropolitana de Salvador, precisamente na Baía de Todos os Santos, dividindo com o vizinho município de Itaparica, o território de maior ilha oceânica do país.
Vera Cruz é formada por 24 localidades, dentre as principais Mar Grande(que é a sede do município) Baiacu e Cacha Pregos.
Vera Cruz da formação histórica, não só da Ilha de Itaparica, como da própria cidade de Salvador,foi dela que saiu o cal para erguer as primeiras povoações, ordenada por Thomé de Souza, quando aqui chegou em 1549. E como testemunha deste período, existe na localidade da Penha, em Vera Cruz, a Caieira da Penha, monumento do século XVII.
Parapatinga foi uma das primeiras povoações do atual município de Vera Cruz , local de origem das tradições iniciais da Ilha, lá se encontra o Sobrado de São Simão, que atualmente se encontra em ruínas.
Através da Lei nº 1773, de 30 de julho de 1962, foi criado o município de Vera Cruz, desmembrando do município de Itaparica. Sendo publicado no Diário Oficial de 31 de julho de 1962. Constituiu de quatro distritos o município de Vera Cruz.
Vera Cruz é formada por 24 povoados, incluindo a cidade de Mar Grande, onde está localizada a Prefeitura Municipal.
A vida na Ilha.
Para quem vive em uma ilha, o porto, o caís ou o ancoradouro habitualmente chamado pelos nativos da ilha, de "ponte" é o lugar de chegada e de partida de nativos e turistas, local de embarque e desembarque de pessoas, de encontros e despedidas.
A ponte já foi o palco onde se desenvolveu muita barganha, onde se comprava, vendia e até se trocava mercadorias. Num passado não muito distante, o transporte de mercadorias e de pessoas era feito através de grandes bracos feito de madeira, conhecida como "saveiros de pano" que eram impulsionados pelo vento quando a sua vela era hasteada, que eram construídos aqui mesmo na ilha, principalmente no Estaleiro localizado em Cacha Pregos.
As mercadorias que os saveiros traziam abasteciam as "vendas", o que hoje conhecemos como mercadinhos.
Esses saveiros além de passageiros, vinham carregados de sacos e caixas contendo gêneros alimentícios, fardos de tecidos, latas de querosene, materiais de construção e outras coisas. Daqui também saiam as diversas frutas que eram vendidas na feira de Água de Meninos. A feira de Água de Meninos servia de entreposto comercial entre Salvador e outras regiões da Baía de Todos os Santos, como Maragojipe, São Félix, Nazaré da Farinhas, Bom Jesus dos Passos e Ilha de Itaparica. Os saveiros transportavam as frutas, verduras, cerâmicas, farinha, tecidos e produtos dessas regiões.
Os saveiros tiveram muita importância no desenvolvimento econômico e social da cidade, os comerciantes daqui progrediram e muitos empregos foram gerados através das fábricas de cal, tijolos e de pólvora.
O embarque e desembarque dos passageiros eram feitos nos ombros dos tripulantes da própria embarcação, esse tipo de trabalho exigia força e cuidado para não deixar o passageiro cair na água. A viagem também era desconfortante, as mulheres tinham muito medo das viagem e ficavam constrangidas na hora de saltar, já que tinham de ser carregadas pelos homens que muitas vezes nem conheciam.
A situação só melhorou com a chegada das lanchas Gaivota e Águia. Essas lanchas foram as primeiras a fazerem o percurso Salvador-Mar Grande.
A população da Ilha sobrevivia da pesca, de frutas e do cultivo de raízes como a mandioca, aipim, batata doce, inhame. A pesca era feita de forma artesanal, através de varas, tarrafas, redes e jererés. Os jererés (utilizados para pescar siri) eram confeccionados pelos próprios pescadores e moradores da região.
Os pescadores, em sua maioria, eram pessoas de pouca escolaridade,mas dotados de muita sabedoria e conhecimento da vida do mar, que foram repassados por gerações anteriores.
Conhecedores da natureza, eles conseguiam perceber as mudanças climáticas, como as mudanças do vento e das correntes marítimas.
O trabalho desenvolvido pelas mulheres era pesado, muitas sustentavam a casa com "roupa de ganho" e algumas trabalhavam como domésticas durante a época de veraneio.Acordavam cedo para pegar lenha no mato para cozinhar e ainda tinham que encher os tonéis de água, caminhavam pelas trilhas existentes, carregando na cabeça latas de água.
As casas na sua maioria em eram de taipa, cobertas de palha e de chão batido. E que na época de festas eram enfeitadas de pitanga e areia da praia.
Não havia estradas, nem as ruas eram calçadas ou pavimentadas. Existiam as trilhas,que eram caminhos feitos pelos homens com facão e alargados pela passagem contínua das pessoas e dos animais.
Com uma vegetação exuberante e farta, alguns moradores tinham pequenas roças, onde plantavam a mandioca e o aipim para a fabricação de farinha e dali tirar o seu sustento.
Muitos moradores saiam à procura de lenha para cozinhar, costume usado naquela época, pois não existia fogão a gás. A água também era de difícil acesso. Muitos moradores saiam em busca da água, líquido precioso para os moradores da ilha. Na época de veraneio os moradores sofriam carregando na cabeça latas de querosene cheias de água para beber e cozinhar, os jegues também transportavam água. Os banhos eram feitos nos rios e nas fontes existentes.
A lavagem de roupas eram feitas pelas lavadeiras. Roupas brancas de um lado e de cor em outro, as roupas não poderiam se misturar, senão manchariam. E para enxaguar as roupas tinha a folha de patchouli e as barras de anil , não poderiam faltar. Depois de lavadas as roupas, eram eram passadas e algumas ainda eram engomadas. O trabalho de engomar consistia em ir molhando um pano numa vasilha com água e goma que era extraída da mandioca. As roupas eram passadas com o ferro de carvão.Os antigos ferros a carvão eram muito pesados e ainda se tinha que soprar as brasas e tirar as cinzas longe das roupas.
As lavadeiras de Mar Grande lavavam as roupas de algumas famílias importantes de Salvador (roupa de branco) e o seu envio era feito (até a década de 60) nos saveiros, que era o transporte marítimo da época.
A noite na ilha era banhada pela escuridão. Nas casas usava-se a lamparina, objeto muito comum por ser de fácil uso e fabricação, alimentada pelo azeite, que era extraído do dendê de forma artesanal.
Nas casas das famílias com melhores condições , como os veranistas que moravam na praia, logo que escurecia, as velas era acesas. Mais tarde surgiram os candeeiros.
O querosene, combustível dos candeeiros, não existia na ilha, vinha de Salvador, através dos saveiros que faziam o transporte de pessoas e mercadorias.
A energia elétrica chegou em Mar Grande lá pelos anos de 1940. Movida por geradores com motor a óleo diesel. Esses geradores não atendiam a toda a ilha e eram ligados às 17 horas e desligados às 22 horas.
Os partos na ilha eram feitos pelas parteiras. Dotadas de muita coragem, conhecimento e disponibilidade, as parteiras utilizavam esse "dom" muitas vezes em situações precárias ou de risco.As parteiras daquela época eram mulheres de muito temor a Deus. tinham uma fé inabalável. Quando eram chamadas para socorrer alguém, primeiro faziam orações pedindo proteção a Deus e a intercessão de Nossa Senhora do Parto.
Aqueles que se aventuravam a veranear, mesmo que por um período mais curto, viam-se obrigados a transportar todo tipo de mantimentos, além de água potável, incluindo combustível, utilizado para o cozimento de alimentos e para o abastecimento dos lampiões, candeeiros e fifós que iluminavam as casas.
Pouco se podia esperar com relação a estrutura voltada para atender as demandas dos poucos veranistas e turistas que já frequentavam a ilha nesta época. A inexistência de bares, restaurantes e hotéis, na maioria das localidades espalhadas na sua costa e contra-costa, reduzia as possibilidades de aquisição de muitos tipos de gênero alimentício, salvo as poucas mercearias ou vendas, onde se poderia comprar o pescado salgado ou peixes secos.
Sem água, luz e sistema de saneamento, a maior parte da população nativa dedicava-se a atividades básicas de sobrevivência, em que a pesca e agricultura, além da coleta de frutas tropicais constituíam as principais atividades.
A noite a ilha era tomada pelo silêncio e a escuridão e as pessoas esperam a noite de lua para poder sair.
Por volta dos primeiros anos da década de setenta, o governo do estado. em parceria com o governo federal, construiu duas obras de ampliação dos sistemas de acesso a Itaparica. De um lado a Ponte do Funil que liga a Ilha ao Recôncavo Baiano. Do outro o sistema ferry-boat, com balsas transportando carros e passageiros no sentido Salvador- Itaparica-Salvador. Também foi construído o primeiro Hospital da Ilha em 1975, o hospital das freiras, como era chamado.
A Conclusão de tais obras resultou em uma corrida imobiliária na proporção em que se acentuava a ocupação em áreas nativas por parte de turistas e veranistas.
Minha infância no bairro da Ilhota.
Minha infância nesse bairro da ilha de Vera Cruz foi perfeita. Só guardo boas lembranças e excelentes recordações. Vivia à vontade, livre, foi uma infância feliz e tranquila. Como a ilha nessa época não tinha a violência que tem hoje, as crianças podiam brincar à vontade, poderíamos invadir as roças dos vizinhos para pegar frutas, como manga, goiaba e caju. Quase todo dia era dia de tomar banho de mar, até no inverno, época de muita chuva na ilha.
Meu bairro era cheio de mato, mas com muitas casas, as ruas não tinham asfaltos como tem hoje. Lembro que quando o asfalto chegou para as ruas, acabei caindo numa vala que os trabalhadores estavam fazendo para colocar a tubulação de saneamento, acabei que quebrei o braço e tive que ir para Salvador nas pressas para colocar o gesso. Sentia muita dor e no hospital daqui não colocava gesso e nem tirava radiografia. Tive que esperar o dia seguinte e ir para um hospital de Salvador.
Moro nessa rua até hoje, mas muita coisa mudou. Agora temos rua asfaltada, casas erguidas com blocos, só a vizinhança que mudou bastante, já não temos os mesmos vizinhos.
A vizinhança de antigamente era melhor, os vizinhos se respeitavam e não tinha tanto barulho de som como temos hoje.
Nasci em Salvador porque aqui na ilha ainda não tinha hospital, mas fui criada na ilha, onde vivo até hoje e não troca por nada desse mundo. A rua continua tranquila, os barulhos acontecem mais é no final de semana, as casas que são alugadas para veraneio são que fazem barulho, não se respeita a lei do silêncio, mas estamos livres da violência urbana, nenhuma casa é assaltada, se pode andar tranquilamente em qualquer horário, podemos sair à noite, não temos problemas de enchentes quando chove demais, temos saneamento básico nas casas, minha rua é perfeita.
Sinto falta de mais verde na rua, que são as árvores, antigamente tinha mais plantas, flores e árvores, mas com o progresso,elas foram dando lugar as casas, hoje são pouquíssimas árvores existentes por aqui.Cresci colhendo bem-me-que, florzinha amarelinha, aqui era como mato, tinha em tudo que era lugar. Agora não existe uma para contar história. Triste é que precisamos do progresso, mas ele acaba extinguindo muita coisa boa que existe na natureza. A ilha foi bastante prejudicada nesse ponto, muita coisa boa acabou.
Mesmo com seus problemas, a Rua Arthur Imbassay -na Ilhota continua boa de se viver.
Entrevista com D. Val moradora da Ilhota.
Julice: A senhora nasceu e cresceu aqui na localidade, qual era a maior dificuldade que a senhora acha que os moradores da ilha enfrentaram?
Dona Val: Acho que foi a falta de água potável. Os moradores iam buscar água no Silêncio( Silêncio era onde tinha uma lagoa de água limpa) lugar longe e com caminho perigoso. Tinha o risco de encontrar cobras pelo caminho e de ser pelada pela urtiga e o cansanção. Duas plantas que quando encostam na pele coça muito e fica uma vermelhidão danada, aqui na ilha essas plantas são temidas. Vou contar um caso: sempre levava as roupas de ganho para lavar lá, um dia botei a roupa pra quarar (quarar é colocar a roupa no chão, no mato, para tomar sol) e quando vou molhar as roupas, me deparo com uma cobra venenosa em cima de um lençol. Não conseguiram matar a cobra, ela fugiu para o meio do mato. Foi um grande susto.
Mas o local também era de confraternização, famílias inteiras tiravam o dia para lavar e tomar banho no Silêncio, saiam de manhã e só retornavam pela tardinha.
Ter um filtro de barro cheio de água não era fácil e não era para todos. E colocar água nesse filtro dava trabalho.
Julice: A senhora lavou de ganho. Como era para entregar as roupas em Salvador?
Dona Val: Era difícil, levava nos saveiros. Mas sempre tinha a ajuda de uma filha para ajudar a levar a trouxa de roupa.
Julice: Como era fazer partos naquela época sem muitos recursos?
Dona Val: Quando eu ia examinar a paciente eu cortava as unhas, lavava as mãos, e levava o óleo de amêndoa para passar no dedo para poder examinar a paciente.
Julice: Como era viver sem energia elétrica?
Dona Val: Não sentia diferença, mas ficava feliz na época de lua. Só assim nossos filhos poderiam ficar um pouco na rua de noite, podiam brincar na rua, se podia ira passear na praia de noite, casais saiam para namorar na porta. Não existia a violência que existe hoje. Se tinha medo era das lendas, das assombrações... época de noite de lua era uma festa. Também do donos das quitandas ficavam alegres, já que podiam ficar abertas até mais tarde e muito gente saia para comprar o pão, o querosene ou algo que faltava. Noite de lua era noite de festa, tinha que se aproveitar.
Julice: Sente saudade daquele tempo?
Dona Val: Um pouco, mas isso não volta.
Julice: Gostaria que seus netos e bisnetos tivessem pego esse tempo, essa época?
Dona Val: Não sei responder... meus filhos cresceram subindo em pés de árvores, pegando frutas nas roças, brincando na rua, andando descalços, comendo farinha com açúcar, indo para a praia sozinhos, meus netos não tiveram essa criação.
Julice: O que deseja para a nova geração de moradores de Vera Cruz?
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Dona Val: O bem maior de todos, e que estou perdendo a minha cada vez mais, saúde. Tive um AVC e ainda tenho um problema de coração, coloquei um marca-passo, vivi muita coisa, se não fosse a alimentação forte e com coisas tiradas da terra, alimentos puros e saudáveis, não estaria mais aqui. Antigamente a comida fazia bem, hoje tudo está contaminado e destruído. Não encontramos mais as frutas como antigamente. Manga, caju, fruta-pão (fruta que até fazia as vezes de pão) estão sumindo. Só se acha manga e goiaba de carbureto, coisa que faz mal para a saúde. Os pés dessa frutas estão sumindo da ilha, agora só achamos comprando. E ainda são caras! Muito triste isso.
Entrevista Com Dona Valdelice Ramos- Dona Deca.
Idade 84 anos.
Natural de Vera Cruz -Bahia.
Reside na Avenida Luís Imbassay- Ilhota.
Referências Bibliográficas:
JANOTTI, Maria de Lourdes Mônaco, Refletindo sobre História Oral: Procedimentos e possibilidades. In. MEIHY, José Carlos Sebe Bom (org). RE- Introduzindo História Oral no Brasil, São Paulo: Xamã, 1996.
MONTENEGRO, Antonio Torres, História Oral e Memória: a cultura Popular revisitada. 3ª ed. São Paulo: Ed. Contexto, 1994.
BOSI, Ecléa. Memória e Sociedade: Lembranças de Velhos. São Paulo: T.A. Queiroz, 1997. Vol 1
<www.cidade-salvador.com> Acesso em 08/09/2015




